Um pai faz falta!

Um pai faz falta!

Venho propor uma homenagem aos pais, na proximidade de seu dia, trazendo uma reflexão sobre a falta que faz um pai. Dado que a paternidade não se ancora somente na hereditariedade, mas no que pôde se efetuar na transmissão do que se recebeu da geração anterior. É de pai para filho, que se inscreve na diferença de gerações, o lugar da autoridade e da lei. Do pai recebemos um nome marcado com as histórias das gerações anteriores. E para nos apropriarmos deste nome recebido é necessário um trabalho de elaboração. Entre o pai que tivemos e o pai que gostaríamos de ter tido pode se instalar um abismo ou um palmo de distância. O que se espera do pai pode estar no campo das idealizações, culpas, dívidas, nos ressentimentos de algo esperado e inalcançável, mas também podemos ter uma relação de respeito ao que um pai pôde transmitir. Quando, na melhor das hipóteses, um pai transmite, na árdua tarefa que é a educação dos filhos, que sua função faz limites, ou seja, o limite de um pai é a passagem, a senha que a criança dispõe para um dia ser capaz de sustentar-se em sua própria vida.

O que se espera do pai pode estar no campo das idealizações, culpas, dívidas, nos ressentimentos de algo esperado e inalcançável, mas também podemos ter uma relação de respeito ao que um pai pôde transmitir.

Como o assunto de pai é sempre coisa séria, seja para adultos ou crianças, se faz necessário pensar em algumas transformações bastante significativas da nossa atualidade, que questionam a autoridade paterna. A educação é o que age na criança como uma lei interna possibilitando que ela possa ter acesso à socialização e sustentar-se no laço social sem muitos impedimentos. Por isso, o essencial do processo educativo se dá entre a criança e seus pais, cabendo à geração que antecede ocupar-se da educação da geração seguinte. No entanto, presenciamos uma ruptura do que sempre foi o lugar legítimo da autoridade paterna, em nome de uma educação baseada em pactos e negociações com o filho. Na noção de pacto está implícito o consentimento das duas partes, gerando uma inversão dos lugares, pois no pacto a criança consente ou não, em ser repreendida, fazendo do pai um parceiro. Tratar a educação como um pacto a ser negociado com a criança implica também em tomar a criança como igual apagando a diferença de geração. Como se ela fosse capaz de interditar seus próprios excessos. O que é impossível para uma criança.

No entanto, presenciamos uma ruptura do que sempre foi o lugar legítimo da autoridade paterna, em nome de uma educação baseada em pactos e negociações com o filho. Na noção de pacto está implícito o consentimento das duas partes, gerando uma inversão dos lugares, pois no pacto a criança consente ou não, em ser repreendida, fazendo do pai um parceiro.

Pais que priorizam ser amigos, parceiros e cumplices do filho, estão desviantes de seu lugar, pois na medida em que se evita intervir por temer o desamor por parte do filho, esvazia-se a autoridade paterna, e consequentemente se apaga a hierarquia dos lugares. Ser pai é confrontar-se diretamente com seu lugar de filho, mesmo quando se pretende fazer tudo diferente do que se recebeu, será sempre esta a referência. Na relação fraterna entre pais e filhos, o pai ainda está submetido à sua condição de filho, impossibilitado de ocupar outro lugar. Na fragilidade do pai, que se apresenta sem recursos em assumir seu lugar, a criança também se vê sem condições de assumir os riscos de crescer.

Pais que priorizam ser amigos, parceiros e cumplices do filho, estão desviantes de seu lugar, pois na medida em que se evita intervir por temer o desamor por parte do filho, esvazia-se a autoridade paterna, e consequentemente se apaga a hierarquia dos lugares.

Desde modo, o que se transmite de uma geração a outra é que quando chega a hora de se autorizar a sustentar-se sozinho, há uma impossibilidade que desautoriza esta passagem. Tal como podemos verificar no caso das adolescências intermináveis. Se um pai faz falta, educar é, dentre outras coisas, oferecer condições para que um dia a criança possa sustentar-se sozinha. É neste sentido que um pai faz falta!